Existe um modelo de negócio perfeito para criativos.
Por 6 anos da minha vida eu não enxergava isso. Eu vivia uma agenda com dezenas de blocos de tempo curtos, tarefas atrás de tarefas. Quando uma acabava, já tinha que correr para outra para não afetar as demais que ainda tinha para concluir no decorrer do dia. Eu sentia como se estivesse com um cronômetro ligado fazendo tic tac, tic tac, tic tac no meu ouvido 24 horas por dia. E o mais louco era achar isso normal.
Até que [sempre tem um até que], cansado dessa rotina insana, eu decidi procurar uma saída. E nessa… meus olhos se abriram e percebi o porque de tudo aquilo que eu fazia ser tão maçante para mim. Eu não era uma pessoa operacional, apertadora de botões e resolvedora de pepinos, mas um criador.
E já te adianto, não quero também ser desonesto com você dizendo que nunca mais você precisará resolver um pepino na sua vida, mas o que eu vou te contar nessa carta é que sim, existe um modelo de negócio perfeito para o criativo.
Um modelo de negócio que te possibilita uma agenda com poucos longos blocos de tempo. Que te dá liberdade para ser criativo. Liberdade para ir treinar às 15h junto com aquele grupo de velinhas fofoqueiras e alguns estudantes do ensino médio (sim, esse horário só dá isso). Um modelo de negócio que te possibilita viver enquanto opera no ápice da sua criatividade.
Isso faz sentido para você? Então vamos lá.
Para te contar e abrir os detalhes do que é bom, eu preciso antes te contextualizar com o que é ruim. Nossa mente funciona criando bases comparativas e nós só conseguimos definir com clareza algo que é bom quando compararmos com algo que é ruim e vice-versa.
O Modelo Errado.
Eu sempre me considerei uma pessoa criativa. Talvez não um gênio da criatividade, mas sempre tive mais facilidade para criar coisas inusitadas do que a média dos meus amigos.
Isso me levou a uma gigantesca incógnita na adolescência. Meus amigos já tinham caminhos muito definido em suas cabeças. Alguns queriam ser médicos, outros advogados, os que tinham mais dinheiro sonhavam em herdar a empresa dos pais e assim por diante.
Eu? Eu não fazia a mínima ideia.
Não conseguia me imaginar sendo médico, advogado, engenheiro, dentista, nenhuma dessas profissões entediantes. Eu queria fazer algo que queimasse de verdade no meu coração.
Como sabia que ao me formar no ensino médio teria que encontrar uma faculdade para fazer, eu precisava pra ontem definir um caminho ou receber uma resposta do céu sobre o que eu faria pelo resto da minha vida.
(Engraçado o peso que a sociedade coloca em definirmos algo “imutável” pro resto da nossa vida enquanto temos 17-18 anos. Eu não acredito nisso hoje em dia, acredito muito mais que vida é feita de tentativas e erros, mas naquela época era induzido a pensar assim.)
Enfim, eu precisava chegar a uma conclusão.
Nessa, alguns caminhos surgiam na minha cabeça.
E se eu fizer publicidade e propaganda? Eu gosto de criar, lá poderia viver de criar propagandas e publicidades para marcas.
Mas não segui por aí.
Pensei também em fazer marketing, arquitetura, design de interiores, mas também não foi por aí.
Logo que me formei decidi que queria me mudar para São Paulo. Gostava muito da cultura de Sneakers (aqueles tênis raros que o pessoal vende pelo olho da cara) e São Paulo era o único lugar no brasil que essa cultura estava começando a crescer.
Para ir precisava encontrar algo para estudar e nessa acabei escolhendo fazer Design de Moda.
Sim, meus leitores. Eu fiz — ou comecei — design de moda.
Era algo criativo. Algo que eu gostava. Algo que talvez no futuro pudesse criar uma marca de roupa minha.
[Aquele sonho que 96% dos jovens já tiveram de criar uma marca com os amigos, ficar ricos e viver a vida boa. Esse era meu também.]
Enquanto ainda estava na faculdade, pela minha paixão por tênis, eu decidi começar a comprar e vender alguns modelos para conseguir assim comprar aqueles sneakers que eu sonhava.
O negócio até que começou a fluir e disso criei minha loja de revenda.
A loja começou a vender mais.
E aquilo que era um hobbie que me levaria a comprar meus tênis preferidos e um dia poder criar minha marca de roupa própria, passou a ser meu trabalho.
O sonho de criar passou a ser o sonho de ganhar dinheiro.
Comecei a acompanhar pessoas na internet que falavam como ficar rico.
Via jovens mais novos do que eu multimilionários.
Via pessoas da “noite pro dia” ficando ricas.
E eu queria fazer parte disso.
Essa loja de revenda de tênis evoluiu para uma loja de revenda de marcas no geral.
O tempo passava, minha criatividade ia sendo deixada de lado pelo sonho de viver a vida que os outros tinham.
Minha rotina girava em torno de coisas operacionais.
Resolver pepino.
Fazer pedido de novas caixas.
Reunião com novas marcas.
Resolver problema de algum pedido.
Organizar o escritório.
Planilhas. Tabelas. Tráfego pago.
E a ansiedade para chegar logo parecia uma água estava batendo na minha bunda.
Eu tinha 23 anos e parecia que se eu não “desse certo” até meus 25 minha vida seria um fracasso. (Ilusão)
Eu faturava razoavelmente bem, mas estava no negócio errado.
Muito estresse. Muito operacional. Pouco resultado para o meu bolso. Quase nada do meu senso de criar sendo usado.
Mas nessa fase eu já tinha desligado isso. Não estava nem aí pro meu talento criativo. Tudo que eu queria era ficar rico.
Nisso comecei a comprar cursos de marketing digital para fazer no meu tempo livre.
Fiz afiliado, desisti.
Fiz lançamento, desisti também.
Pensei em fazer dropshipping, nem comecei.
Eu vivia como um macaco prego pulando de galho em galho em busca de algo que fosse me deixar rico rápido.
Eu até amava o processo de começar algo do zero. Parecia que cada tentativa de novo negócio me enchia de tesão, mas quando as coisas começavam a ficar chatas eu perdia esse fogo.
Era minha chama criativa falando. Meu negócio era criar.
Fui chamado pra isso.
Mas perdia meu dia inteiro ansioso para viver uma vida que não era minha.
Enchia minha agenda de to-do’s para tentar parecer ser mais produtivo e sentir que estava evoluindo nessa jornada.
E no fim da noite deitava minha cabeça no travesseiro exausto.
Talvez você esteja vivendo ou viveu algo parecido.
Ou talvez você sempre trabalhou no ramo da criatividade e não viveu nada disso, mas ainda sim você se sente cansado e sobrecarregado. Fazendo mil e um projetos para sobrar pouco no final do mês. Projetos repetitivos. Copia e cola. Nada daquilo que te enche de tesão.
E se você se identificou com isso, continue aqui. O que vou te mostrar à seguir fará ainda mais sentido.
Calma calma, foguetinho. Eu quis te contextualizar, a carta está só começando.
YOU ARE SOOOOO BEAUTIFUUUUUUUUL, TO MEEEEEEE.
O que isso tem a ver?
Nada. Absolutamente nada. Só lembrei daquele filme de sessão da tarde do menino cantando essa música para sua amada de 11 anos.
Mas vamos continuar.
Essa estranheza e susto é bom que te acorda.
Nesse momento acabei de arregaçar as mangas do meu moletom, sentei direito na cadeira, meus dedos estão pegando fogo, vou derreter o teclado. BORAA.
Como estava dizendo, a vida em que eu dizia estar vivendo estava longe de ser aquilo que fui chamado para fazer, aquilo que chamo de zona de genialidade. Eu precisava encontrar esse lugar.
Em abril de 2025, 1 ano e pouquinho atrás, eu tomei a decisão de ir em busca desse lugar.
De lá pra cá, fechei minha loja.
Comecei uma comunidade com donos de marca os ajudando a escalar as vendas online como tinha feito com a minha loja. Fechei ela também.
Comecei a prestar consultoria para profissionais que queriam crescer nas redes sociais.
Testei, errei, testei de novo, errei mais uma vez, mas aprendi.
Em cada tentativa e erro eu fui chegando um passo mais próximo da minha zona de genialidade e hoje, hoje, eu posso dizer que encontrei.
Será que para sempre? Não sei. Adoraria saber.
Mas o que temos é o hoje e, nesse caso, encontrei.
Ai você deve estar se perguntando “o que é que esse cara barbudo, másculo e bonito encontrou?”
Ou talvez não. Provavelmente não.
Provavelmente você só está se perguntando “o que ele encontrou?”.
Bom, o meu negócio pouco importa. É claro que vou te falar no final.
Mas o que eu quero mesmo te passar são alguns requisitos que aprendi nessas tentativas e erros que — se seguidos — te aproximará muito da sua zona de genialidade e do modelo de negócio perfeito para você, criativo.
1. Tem que ser mamão com açúcar
Todos temos algo que fazemos de forma muito mais fácil que a grande maioria das pessoas.
Seja escrever, seja editar um vídeo, seja design, seja nosso senso estético, seja ensinar algo para alguém, seja cozinhar, fazer sobremesa, falar na câmera, seja qualquer coisa.
Independente do que seja, você tem ao menos um talento.
Eu costumo dizer que nossos talentos são presentes que Deus nos deu e espera a nossa multiplicação. Espera que façamos algo com isso.
Nossa zona de genialidade está muito provavelmente dentro disso.
E sabe de uma coisa?
Quanto mais tempo passamos exercendo esse talento, melhores nos tornamos, mais fácil executamos, e aquilo que um dia você era bom, hoje você pode ser o melhor.
E quem é melhor, costuma ser bem pago. Se você aplicar os próximos requisitos, claro…
2. Tem que ter margem de segurança contra cagada
Por muitos e muitos anos, como você bem sabe, eu operei um negócio com margem quase 0%. Não importava o quanto faturasse, no final do mês sobrava quase nada para retirada.
“Ah, mas escalando isso para casa dos milhões sobra uma quantia legal…”
Eu não acho que a dor de cabeça compensa.
Você prefere um negócio que fature 2 milhões por mês e te gere 50 mil de lucro ou um negócio que fature 100 mil por mês e te gere os mesmos 50 mil de lucro?
Eu já preferi a primeira opção. Era mais bonito falar meu faturamento. O ego ficava como? Bombado.
Hoje eu já cai na real. Um negócio com 50% de margem de lucro é muito mais saudável, dá muito menos dor de cabeça, você vê o dinheiro na sua conta e não sendo torrado com boletos de vários dígitos para fornecedores.
Sem contar que é um negócio contra cagada. A margem te dá liberdade para errar.
O que nos leva ao requisito 3.
3. Tem que servir ou educar alguém
Esquece esse negócio de revender produto dos outros. Dor de cabeça demais e lucro de menos.
Pensaria duas vezes também antes de criar um negócio de produto físico próprio. Você tem margem melhor, mas ganha bem mesmo só quando escala.
Se você quer ter um negócio que coloque dinheiro no seu bolso, te dê liberdade de tempo e te coloque na sua zona de genialidade criativa, existem duas opções:
Serviço
Nesse caso você venderá um serviço para outra pessoa em troca de um valor acordado.
Seja um design, uma edição de vídeo, uma palestra, copy, tanto faz.
Mas tem um porém que vou te falar no requisito 4. Antes disso, a outra opção é:
Educação
Nesse caso você vai ensinar alguém a resolver uma dor que ela tem ou conquistar algo que ela deseja.
Toda venda gira em torno de uma DOR ou um GANHO.
Aqui entra curso, mentoria, consultoria, mentoria em grupo, comunidade, tanto faz.
A única coisa que encarecidamente recomendo caso opte pela opção 2 é que você realmente saiba resolver o problema ou ajudar a conquista. ;)
Se ainda não se sente preparado para ensinar algo para alguém, foque na opção 1.
Preste um excelente serviço.
Dê o seu melhor
Revise o que errou e o que acertou.
Melhore isso no próximo.
Um dia, você vai ficar bom o suficiente para ensinar alguém.
4. Cobre caro. Muito caro.
É preferível você cobrar caro e atender poucos clientes do que cobrar barato e atender Deus e o mundo.
Você prefere atender 5 clientes de 10 mil cada, fazendo 50mil no mês.
Ou
Atender 50 clientes, de 1mil cada, fazendo os mesmos 50mil?
O que te dá menos dor de cabeça e mais tempo livre para se aperfeiçoar podendo um dia cobrar mais caro ainda sempre será a melhor opção.
Você pode achar que não consegue cobrar tão caro assim, mas na maioria dos casos é tudo uma questão de ajuste mental.
Não vou dar uma de coach, nem aprofundar nisso.
Mas eu posso te dizer que tem alguém pior do que você cobrando 10x mais pelo mesmo serviço.
Se não consegue aumentar seu preço de 2mil para 20mil e vender com confiança, faz o seguinte:
Aumenta de 2mil para 4mil, vende uns 2-3 projetos.
Você vai ver que é fácil, ganhou mais e trabalhou menos.
Cobra então 7mil. Faz o mesmo.
E vai evoluindo até você sentir que chegou no valor justo.
Sem contar que o preço que você cobra atrai o tipo de cliente que você atende.
Quanto mais barato, mais difícil é trabalhar com a pessoa.
Você acha que não recebeu o que merece.
A pessoa é sem noção e acha que te pagou mais do que você merece.
E no fim da história isso só te desanima mais.
Trabalhar com gente rica é sempre mais fácil.
O cara paga uma bolada. Pra ele não foi muito. Pra você foi mais que o suficiente.
E ele confia em você porque o valor te posicionou em um patamar acima do mercado.
5. Documente absolutamente tudo
A lógica do mercado é trabalhar trabalhar trabalhar e se sobrar tempo fazer um conteudinho.
O conteudinho nunca traz resultado, porque a pessoa não dedicou 30 minutinhos para pensar em algo realmente bom e só jogou no chat gpt e pediu pra gerar 15 ideias de conteúdo pro nicho dela.
Nem ela mesma assistiria os próprios conteúdos, mas jura que é o algoritmo que não entrega.
Mas, amém que essa é a lógica do mercado, porque não é a nossa.
Conteúdo para nós é a prioridade.
Conteúdo é a base de tudo.
É aqui que você conseguirá novos clientes.
É aqui que você se posicionará no mercado.
É aqui que seu preço parece barato quando sai dos seus lábios.
Crie conteúdo.
Priorize conteúdo.
Faça algo que você assistiria.
E poste.
De nada adianta criar e ficar segurando achando que nunca é bom o suficiente para postar.
Como dizem: bom você se torna.
Apenas dê o seu melhor em cada conteúdo e continue assim pelos próximos 10 anos. É impossível você não ser referência na sua área quando chegar essa data.
A maioria desiste porque acha que em 6 meses ta famoso e milionário. Acorda. Foque em 10 anos e fique antes.
6. Nicho, nicho e nicho do nicho
Definiu seu serviço ou o que vai ensinar para pessoas?
Nicha mais.
Nichou?
Nicha ainda mais.
Para cobrar caro e vender rápido, resolva uma dor extremamente específica de um público extremamente específico.
Pessoas tendem a pagar mais e pensar menos quando percebem que você é líder da categoria que ela estava procurando.
Não seja um designer de marcas. Quantos você conhece assim no mercado?
Seja designer de marcas de shampoo natural. (é um exemplo ok?)
A dona da marca de shampoo natural grita só de descobrir que tem um designer 100% focado no seu tipo de negócio.
E logicamente ela te pagará mais para atender ela do que pagaria um designer genérico.
Afinal, você entende ela como mais ninguém.
Essa lógica funciona para tudo. Todos os mercados.
7. 1% melhor every single day
A lógica aqui da brincadeira não é você trabalhar menos e ganhar mais e viver a vida adoidado coçando o saco ou a piriquita nas horas vagas.
A lógica é:
Cobre mais caro.
Trabalhe em menos projeto.
Tenha tempo para se tornar o melhor.
Nas horas vagas estude.
Converse com pessoas do meio.
Escute podcasts sobre o tema.
Leia livros. Livros bons. Livros antigos. Livros científicos.
Apenas se aperfeiçoe todos os dias.
Isso te dará material suficiente para produzir mais conteúdos. Afinal, todo dia você aprende algo novo.
Isso te fará melhor no que você faz.
O que em troca te ajudará a trabalhar melhor em cada projeto.
E consequentemente trará melhor resultado para seus clientes.
O que levará a indicações do seu trabalho.
Que te fará vender mais.
Vender mais a um ponto em que sua agenda tá cheia.
E quando ela tiver cheia você pode cobrar mais.
Cobrando mais você consegue atender menos.
Atender menos te fará ter mais tempo livre.
Tempo livre para estudar.
Tempo livre para viver.
Tempo livre para aproveitar.
Tempo livre para criar.
Afinal, o objetivo disso tudo é que você crie.
Crie porque tem uma geração que depende exclusivamente daquilo que só você tem.
Com essa me despeço.
Espero que você realmente aplique tudo que eu disse e não faça desse conhecimento apenas mais um conteúdo que você leu, entendeu e jogou no mar do esquecimento.
A evolução vem 100% de colocar aprendizados em prática.
Ah, antes que eu me esqueça, eu te prometi que falaria sobre meu novo negócio né?
Hoje fundei a Arca Studios™. Um estúdio criativo que transforma negócios ordinários em marcas extraordinárias.
Se essa carta fez sentido para seu momento, deixa um comentário aqui. Adoraria saber que te ajudei em algo.
E se você quiser receber as próximas, clica no botão que deixei abaixo. Quase que diariamente, mas às vezes semanalmente, trago conselhos úteis e outros não tão úteis para criadores por aqui.
Agora sim, até a próxima às 5 a.m.
Um grande abraço,
Túlio Herani.
Texto 100% humano.



Me identifiquei demais com o início da tua carta! Também fui uma criança e adolescente que inventava e criava muito, e quando tive conhecimento do curso de Publicidade eu tive certeza que era o que eu queria, e no meu caso segui nesse caminho.
Mas falando do teu texto, é uma incrível aula sobre negócios. Muito bom aprender com você!