Quinta-feira, 21 de Maio de 2026, 6h16.
Imagine ter um amigo que está sempre disponível para te encher com as melhores ideias. Um amigo que não só sussurra ideias novas no seu ouvido, mas te incentiva e te dá ânimo para criar todas elas do zero. E não para por ai. Ele também é seu conselheiro sempre que precisar tomar uma decisão importante no trabalho ou na vida. E seu ombro amigo naqueles dias que tudo que você precisa é ter alguém para desabafar, aliviar seu estresse e te ajudar a retomar o controle das suas emoções.
Com todo esse pitch de venda parece até que nesse momento eu vou te apresentar a nova IA que chegou no mercado e está cumprindo perfeitamente esse papel, mas não, não é nada disso.
Pelo contrário, o melhor amigo do criativo é muito mais antigo, muito mais presente e não custa nada em nossa vida.
O nome dele é Ted. Ou melhor, é assim que ele gosta de ser chamado. O nome original dele é Tédio.
Por essa você não esperava, né?
Sim, meu querido criador. O melhor amigo do criativo é o Tédio.
Como estava dizendo no começo da carta, tentando criar esse ar de mistério capaz de capturar sua atenção, o nosso amigo TED cumpre algumas boas funções.
Desde ser a nossa fonte infinita de ideias;
Nosso conselheiro em momentos de dúvida;
Nosso ombro amigo no desabafo;
Até nosso calmante e regulador de emoções natural.
Tudo isso nós conseguimos acessar de forma gratuita e vitalícia.
Mas a grande realidade é que o Tedinho tá cansado já de tentar nos convidar para sair, para comer alguma coisa a sós com ele, ou sei lá, sentar e ver o tempo passar.
Ele tenta chamar nossa atenção. Envia mensagens. Quando estamos em filas de banco e mercado ele até nos liga.
Mas sempre fingimos que não visualizamos e deixamos ele no vácuo. E tudo a troco de que?
A troco de alguns stories da vida alheia.
De uma bateria de reels ou tiktok inúteis.
De um vídeo ou uma série no YouTube.
A troco de qualquer coisa que possa nos tirar desse momento com ele. Ou, mais direto: a troco de qualquer coisa que possa nos fazer escapar do Tédio.
Ai os dias passam.
Parece que nossa criatividade fugiu pelas portas do fundo.
Quando queremos (ou precisamos) criar algo do zero não conseguimos mais sentar a bunda na cadeira e desenhar, escrever, sei lá.
Hoje em dia, foi até criado um jeito mais fácil.
Ou melhor, um substituto.
Um substituto para o Ted!!!
Conhecido por muitos aí.
O Claudinho, ou Claude.
O gptzinho, ou Chat GPT.
Novos amigos que, quando precisamos criar algo, vira nossa fonte de ideia.
Mas sabe de uma coisa?
Nossa ideias nunca mais foram autorais — não como as do Ted. (eu coloquei esse travessão porque quis ok.)
As ideias sempre soam a mesma.
E posso te contar um segrego?
As pessoas sabem que não fomos nós quem criamos, mas o Claudinho.
As ideias dele são sempre repetitivas. Ele não se dá nem o esforço de criar algo unicamente para nós.
E pode até ser que saibamos dar uma editada na ideia para não parecer que foi cuspida por ele.
Mas no final.
Sabemos muito bem que aquilo não veio de nós. E a mentira deixa de ser para os outros e passa a ser para nós mesmo.
E com isso, o tempo passa.
Nossas ideias vão ficando cada vez mais universais, genéricas.
Nosso cérebro parece não criar mais nada como criava antigamente.
E o Ted já cansou de gritar nosso nome.
Cada um segue seu caminho.
Juramos que existe uma saída.
Sonhamos com um novo amigo que possa cumprir perfeitamente seu papel.
Estamos sempre antenados nas novidades lançadas.
Mas não tem jeito. Eu não posso deixar de falar isso para você.
Eu seria até imoral se não te avisasse enquanto ainda dá tempo.
Posso te falar?
Ninguém nunca vai superar o Ted.
Ele não entrega nada de mão beijada, eu sei.
Ele não cuspe 15 ideias em 8 segundos.
Ele não faz o trabalho por você.
Mas ele é aquele amigo fiel.
Que você sempre pode contar.
Que não quer te dar o peixe, mas te ensinar a pescar.
Ele se preocupa com nossa evolução.
Ele se preocupa com continuarmos criativos.
O que ele mais ama na gente é a nossa autenticidade.
Pura e simples.
A nossa criação menos fora da casinha pra ele é fantástica.
Ele nos escuta em momentos difíceis.
Ele não toma a decisão pela gente, mas nos ajuda a chegar em uma conclusão por conta própria.
Ele nos dá liberdade.
Não nos aprisiona.
Não cria dependência.
Ele quer que sejamos nós os autores de tudo.
E quando não queremos passar tempo com ele, ele respeita.
Fica na dele.
Sempre disponível para quando precisarmos.
Um amigo fiel.
Conclusão
Precisamos retomar nossa amizade com o Ted.
Se você está distante dele, está tudo bem.
Ele não é orgulhoso e está pronto para fazer parte da sua rotina novamente.
É só você chamar.
Como? Você pode estar se perguntando…
Experimente tomar um café longe das telas, olhando somente para janela.
Experimente almoçar sem assistir nada.
Experimente ficar na fila do banco sem celular.
Volte a escrever em cadernos.
Desenhar em folhas de papel.
Experimente caminhar pelas ruas sem fone.
Olhar para o teto branco enquanto joga uma bolinha na parede.
Experimente voltar lá para 2010.
Sei lá.
Só convide o Ted mais para sua rotina.
Ele é nosso melhor amigo e ainda nos ajuda a chegar em boas e autênticas ideias.
Espero que toda essa fanfic que criei para te falar que o Tédio é o nosso aliado na hora de criar tenha feito sentido na sua cabeça.
Na minha até que fez.
Se essa carta fez sentido para seu momento atual, me conta aqui nos comentários. Adoraria saber o quanto foi útil.
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Até a próxima carta, como sempre, às 5 a.m.
Um grande abraço,
Túlio Herani.
Texto 100% humano (com a ajuda do Ted).

